Não pode dormir! Jequieense fica acordada durante cirurgia para tirar tumor do cérebro




 

DRAMA

Diante da tela de um computador, a operadora de máquinas Adriana Miranda, 34 anos, viu uma imagem. “É um sino”, respondeu. Pouco depois, identificou um morango. “Vou comer um morango quando sair daqui”, anunciou, enquanto dizia que um pano azul atrapalhava sua visão. Tampava seus olhos, explicou. 

Nenhuma dessas frases chamaria atenção, em um cenário qualquer. Só que era justamente o contexto que tornava a experiência inusitada: Adriana estava em uma sala de cirurgia do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), sendo operada. Nesta terça-feira (9), ela encarou os procedimentos de uma cirurgia para retirada de um tumor enquanto estava acordada. 




O tumor está localizado em uma área do cérebro de Adriana responsável pela linguagem. Mas, para que os médicos conseguissem identificar o lugar exato, era preciso que ela conversasse. A partir do estímulo, dava para perceber exatamente quais áreas eram do tumor e quais eram do próprio órgão dela. Tudo foi feito com o crânio aberto – a técnica é conhecida como ‘awake craniotomy’ (craniotomia acordada, em tradução literal).

Essa é a segunda vez que essa cirurgia é realizada na rede estadual, mas foi a primeira em que equipes de reportagem puderam acompanhar um procedimento como esse na Bahia. É uma das inovações promovidas pelos hospitais baianos nos últimos anos. 

Isso porque Adriana tem um tumor conhecido como glioma – uma neoplasia que pode ter até quatro graus diferentes. Os médicos acreditam que o dela seja grau 2, mas isso só vai ser confirmado após exames patológicos com a massa retirada do cérebro. De acordo com o coordenador do serviço de neurocirurgia do HGRS, Leonardo Avellar, esse tipo de tumor acaba ‘se misturando’ ao tecido cerebral, uma vez que se infiltra no órgão. 

Em condições normais, portanto, fica difícil saber exatamente o que é tumor e o que é o cérebro. Por isso, o momento da remoção é crucial para garantir que a paciente não tenha sequelas futuras.

“Se ela não removesse a lesão, fatalmente acabaria tendo algum distúrbio de linguagem. Se ela não acordasse durante a cirurgia, a chance de ficar com alguma sequela seria de até 25%. Com ela acordada, a chance de ter sequela cai para 4%, 5%”, afirmou o neurocirurgião. 

Convulsões 
As convulsões de Adriana começaram em janeiro deste ano. No início, os médicos que a examinaram em Jequié, município do Centro-Sul do estado, onde a operadora de máquina vive com a família, não viram nenhum problema. Disseram que não tinha nada de errado. Mas, as convulsões continuavam vindo, geralmente à noite.

Até que, um dia, ela começou a sentir quando pilotava sua moto. “Ela disse que começou a sentir as mãos tremendo, só que um rapaz percebeu e foi ajudar. Só por isso não caiu da moto”, contou o irmão de Adriana, o pedreiro Valdir Miranda, 48.  Assim, os médicos pediram que ela filmasse as convulsões. 

Foi quando veio o diagnóstico e ela foi encaminhada ao HGRS, no mês passado. A unidade é referência em neurologia e neurocirurgia no estado. Por mês, a unidade médica realiza cerca de 100 procedimentos neurológicos – isso corresponde a até 85% do total de cirurgias da área no estado. 

Mais sensível, Adriana começou a ser acompanhada pela equipe do hospital desde o último dia 20. Em Salvador, fica com o irmão, uma irmã e o marido. Este último, por sua vez, se divide entre o tratamento da esposa aqui e os cuidados com a filha do casal, Adrielle, 7, que ficou em Jequié. 

A equipe de anestesia, composta por ele e outros dois médicos residentes, vêm se preparando para a cirurgia há duas semanas. Antes que Adriana entrasse na sala, conheceu os médicos e conversou sobre o procedimento. Para eles, a cooperação da paciente é um dos principais fatores para que uma cirurgia como essa tenha sucesso. 

“Você tem que perceber se a paciente está bem consciente do que vai acontecer com ela. Se, durante o processo, o profissional percebe que a pessoa tem alguma dificuldade, o perfil dela acaba sendo excluído”, disse. 

Durante toda a operação, os médicos observam o cérebro da paciente – além das posições do tumor – em um monitor chamado de neuronavegador. É um equipamento que funciona quase como GPS e que pode exibir tanto as tomografias computadorizadas quanto as ressonâncias magnéticas mais recentes dos pacientes. No caso de Adriana, os médicos optaram por ressonâncias magnéticas que foram feitas no dia anterior. 

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Categoria: Saúde - Jequié